terça-feira, 11 de setembro de 2007

A conduta humana na pós-modernidade (parte 2)



Com o desaparecimento do limite, o que constitui autoridade vem, simultaneamente, faltar. O lugar da autoridade sempre foi ao mesmo tempo o lugar de esconderijo da divindade e justamente o lugar de onde os mandamentos vinham regulamentar a vida. Atualmente cada um pode publicamente satisfazer todas as suas paixões e, além do mais, pedir que elas sejam socialmente reconhecidas, aceitas, e até legalizadas; um exemplo disso é a mudança de sexo. Toda a moral caiu por terra. A grande filosofia moral dos dias de hoje é que cada ser humano deveria encontrar em seu meio, algo para se satisfazer plenamente. Se assim não for, surge um escândalo, um déficit, um dolo, um dano. Assim, quando alguém expressa uma reivindicação qualquer, está legitimamente no direito de vê-la satisfeita. O desejo por si só já funciona como legitimador, e legítimo é que ele encontre a sua satisfação.
Ainda assim, o ser humano é encarado como aquele que está em busca de si mesmo, de auto-compreensão, alguém em busca de sua identidade. O diagnóstico é que a sociedade vive a reversão de padrões e valores, não conseguindo mais ter uma clara e nítida visão do que se é, e o que deve ser. Diante da imensa “prateleira” de possibilidades que existem e poderiam muito bem ser aproveitadas, homem e mulher sentem-se confusos, e, como alternativa, vivem muitas vezes de maneira mecânica. A busca por “autonomia” e uma total liberdade de antigos valores universais, enclausurou as pessoas num vácuo existencial. Tudo o que a luta pela autonomia desejou nos últimos anos, parece tê-la tirado diante da falta de parâmetros claros que possibilitam exercer essa autonomia.

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